Um único paciente, várias assistências. Após o transplante de medula óssea, o transplantado continua o tratamento com orientações e cuidados de atuação multidisciplinar, ou seja, vários profissionais se unem na causa contra o câncer para a recuperação física e emocional do paciente.
Imagine, de repente, lidar como uma mudança radical dos costumes. Ausentar-se do trabalho, deixar de praticar exercícios, não ir mais à praia ou piscina, ter uma dieta balanceada na alimentação, lidar com horários de medicações, passar por internações de no mínimo 120 dias e ser submetido a exames de sangue todos os dias são apenas alguns dos sacrifícios dos pacientes com doenças do sangue.
Como nem sempre essas alterações são bem aceitas, entram em cena outros profissionais: psicólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta e nutricionista. Juntos, eles atuam na busca de uma cura total do paciente.

FISIOTERAPIA

É a ciência que estuda os movimentos do corpo e a estrutura mecânica de articulações para maior funcionalidade do organismo. Portadores de leucemias, neoplasias e linfomas geralmente apresentam desconforto respiratório provocado pelo uso de medicações fortes, que afetam a região cardiovascular. Por isso, nesses casos há uma preocupação maior de aumentar os exercícios metabólicos. Não existe contra-indicação de exercícios, ao contrário, eles são bem aceitos pelos pacientes, uma vez que eles observam como as melhoras físicas são importantes no tratamento.

TERAPIA OCUPACIONAL 

“Restauração de desempenho ocupacional” é como a professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e terapeuta ocupacional Flávia Pereira da Silva define a sua profissão. 
Ela começou a tratar pessoas portadoras de doenças hematológicas, após seu pai ter leucemia. Esse fato a fez perceber como a terapia ocupacional poderia ser praticada no tratamento.
As atividades são realizadas com crianças, adultos e idosos, de acordo com as restrições individuais e o contexto simbólico e real. Ou seja, leva-se em conta o universo cultural e ético de cada indivíduo. As ações podem ser realizadas em grupo e individualmente. 
“Uma vez, trabalhei com uma criança que estava em estado grave e internada. Utilizei como recurso a leitura de um livro, o que gerou um interesse no paciente pelo final da história. Isso provocou um compromisso com a brincadeira, deixando a criança concentrada em sua ocupação com o lúdico, melhorando aspectos imunológicos”, contou com satisfação Flávia.
A terapia ocupacional vai além de simplesmente ocupar a mente. No caso de paciente com problemas de medula óssea, busca-se trazer a estética e a beleza a partir da auto-aceitação da imagem com o foco na autonomia para integração social em meio a problemas emocionais.

NUTRIÇÃO

Uma dieta ou nutrição equilibrada e apropriada às circunstâncias do transplante ajuda o organismo a reagir melhor ao tratamento, melhora a disposição do paciente e contribui de forma fundamental para a promoção de uma boa qualidade de vida.
É comum que os pacientes após se submeterem a esse procedimento, apresentem aplasia medular, ou seja, quedas nas taxas hematológicas. Como eles apresentam imunidade baixa, é necessário o consumo de alimentos ricos em glutamina que ajudam a aumentar a imunidade como também devem ser oferecidos alimentos ricos em ferro. 
Os alimentos, se contaminados, podem transmitir doenças. Portanto, toda atenção é necessária aos alimentos manipulados ou crus, pois estes podem estar contaminados.
Verifique os alimentos permitidos e não permitidos.

PSICOLOGIA

As particularidades de um paciente portador de câncer exigem uma preparação diferenciada do psicólogo. Cada caso deve ser analisado a partir das reações ao diagnóstico, à internação, às dificuldades e à expectativa de cura. Existem fases apresentadas por pacientes que não são necessariamente seqüenciais, como as fases da revolta, da barganha, da depressão e da aceitação.
“Acredito que a recuperação do paciente só pode ser plenamente obtida a partir do momento em que a morte, o estilo de vida e o posicionamento do paciente no universo passam a ser trabalhados”, explica a psicóloga Marilúcia Nogueira.
Para analisar o paciente, se necessário, existe uma conversa prévia com os médicos, há ainda a verificação do histórico no prontuário e a descoberta da estrutura pessoal, do conceito de vida, paradigmas e crenças de cada paciente de forma a contribuir para evolução emocional dele.