Medo de transplante de medula óssea é obstáculo para quem precisa da ajuda; saiba como doar

O medo do procedimento de transplante de medula óssea e a falta de informação muitas vezes impedem que as pessoas tenham a chance de ajudar a salvar uma vida. O Hemocentro Regional de Santarém, oeste do Pará, está com baixa tanto nas doações de sangue quanto de medula, e muitas pessoas aguardam a doação de uma pessoa que seja compatível. Uma delas é Pamela Trindade, de 8 anos, que luta contra a leucemia há três anos.

A criança precisa de um transplante de medula óssea. Porém, a chance de compatibilidade, segundo o Ministério da Saúde, é de uma em 100 mil. Quem precisa do transplante aguarda na fila do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). A possibilidade de conseguir uma compatível aumentaria se mais pessoas doassem.

Doação de medula óssea pode salvar a vida que quem luta contra doenças como a leucemia — Foto: Lara Cristina/G1.

Muitas pessoas têm medo do procedimento por pensar que ele trará consequências negativas para sua vida. Entretanto, de acordo com o enfermeiro do Hemocentro Maurício Tapajós, há muitos mitos sobre o assunto e o procedimento é simples e indolor. “Ainda existe o mito de que vai mexer com a coluna, se sentir mal. O Redoma é uma coisa totalmente diferente do que você pensa. Será tirado um pequeno fragmento”, disse.

De acordo com ele, em poucos dias, a medula óssea já volta ao normal. A médica hematologista, Kalysta Borges, explica que há duas maneiras de ser feita a cirurgia. “Uma é pelo transplante autólogo, no qual o próprio paciente é o seu doador. É retirada a medula do próprio paciente, e doado para ele mesmo, ou o transplante halogênico de medula óssea, em que outra pessoa doa ao receptor. Não tem nenhum impacto na vida do doador”, garante.

No caso de Pamela Trindade, é preciso ser feita a substituição da medula pela de outra pessoa que seja compatível. O transplante é necessário quando a medula óssea para de funcionar, pois não dá origem as células sanguíneas, como em caso de doenças como a leucemia.

 

“Muitas vezes a medula óssea vai precisar ser substituída, em algumas doenças malignas, por exemplo as leucemias, os linfomas, e em algumas doenças em que há a paralisação da atividade da medula óssea, por exemplo a aplasia medular”, explica a hematologista Kalysta.

A família de Pamela tem esperança de que vão conseguir a ajuda que ela precisa. “Eu tenho muita esperança que vai aparecer um para ela, que lutou tanto, e não vai ser em vão, ela vai mostrar para os coleguinhas que tendo fé e batalha, lutando, correndo atrás, pedindo ajuda, é possível conseguir o objetivo. Nunca podemos perder a fé e esperança”, conta a mãe, Cristiane Trindade.

Pamela Trindade aguarda a doação de medula óssea na luta contra a leucemia — Foto: Reprodução/Redes sociais.

Antes de descobrir a doença, quando ela tinha 5 anos de idade, suspeitas de outras doenças surgiram. “Ela começou ter muita virose em seguida, coisa que ela não tinha antes, e ela ficava muito no antibiótico, até que a última foi uma infecção de garganta muito forte e com sete dias de antibiótico voltou a febre muito forte. Não tinha o que cortava. Eu levei ela pra fazer exames de sangue e deu tudo alterado e a pediatra nos encaminhou para o Hospital Municipal para fazer o mielograma e deu positivo”, relatou a mãe.

 

Depois disso, a menina e a família já lutaram muito. A previsão era que o tratamento de Pamela terminasse em março de 2019, mas ainda em 2018, um exame identificou que ela precisaria do transplante.

Como doar?

Quem deseja doar, pode ir até o Hemocentro de Santarém, localizado na avenida Frei Vicente, bairro Aeroporto Velho, para fazer o cadastro no Redome. Pessoas com idade entre 18 e 55 anos, em bom estado de saúde, sem doenças infecciosas ou incapacitante, podem se cadastrar. É necessário levar identidade e o cartão do SUS.

Após preencher uma ficha com informações pessoais e assinar um termo de consentimento livre e esclarecido, será retirada uma amostra de sangue para fazer o exame de histocompatibilidade (HLA). Depois, é só aguardar a comunicação para verificar se o seu sangue é compatível com o de algum paciente que necessite do transplante.

A procura para fazer o cadastro ainda é baixa. Por isto, o Hemocentro em Santarém realizará uma campanha na segunda-feira (25). Além da possibilidade de ajudar quem precisa do transplante de medula óssea, a iniciativa se deve para conseguir mais doadores de sangue, por causa dos inúmeros acidentes que tem acontecido recentemente.

Fonte: g1.com.br