Ceará ganhará banco de sangue umbilical Imprimir
Escrito por Dennis Eudo   
Dom, 06 de Junho de 2010 23:17

Instalado em Fortaleza, equipamento será pioneiro no Nordeste

Tecnologia e esperança. A inauguração do primeiro banco de sangue do cordão umbilical do Nordeste em Fortaleza, no próximo dia 8, será um marco de sobrevivência para aqueles que aguardam um transplante de medula óssea. O armazenamento de três mil cordões na nova unidade do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) atenderá à demanda de pessoas que aguardam por uma possível compatibilidade HLA (Antígeno Leucocitário Humanos), fazendo com que a ficção científica do estudo de células-tronco torne-se realidade que salva vidas. Mais de 40% das pessoas que precisam de transplante de medula não conseguem a compatibilidade HLA. As chances são de um doador a cada 100 mil.

O hematologista Fernando Barroso, chefe da equipe que realizou as pesquisas para implantação do banco, disse que o projeto é financiado pelo Ministério da Saúde (MS), com recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), e faz parte de uma rede internacional. Segundo ele, nos últimos 18 meses, na Capital, houve 16 cirurgias de transplante de medula óssea e, em 2008, foi a cidade que mais realizou transplantes.

O especialista ressaltou a importância da doação voluntária. “Quando a mulher doa o cordão umbilical, ela está colaborando com o processo de doação em todo o mundo, uma vez que inserida em um banco público de congelamento, o mapeamento de compatibilidade aumenta extraordinariamente”, destacou.
Seguro sobre a competência do projeto, Fernando Barroso afirmou que o banco é o “primeiro passo de muitas conquistas” e explicou ainda que, após a inauguração, haverá o processo de teste dos equipamentos. “Você só poderá fazer um procedimento de armazenamento se todo o conjunto estiver funcionando com segurança. Para isso, é preciso que haja um período de avaliação e precisão. Determinar quanto tempo isso irá durar não é prudente”, analisou.

“PEÇO A DEUS QUE DÊ A CURA  AO MEU FILHO”
A fé move o coração da agricultora Helenita Carnaúba, moradora do município de Pedra Branca, no interior do Estado. Mesmo sem saber da importância do banco como empreendimento científico, a trabalhadora rural poderá ter na inovação tecnológica a chance de ver seu filho, de seis anos, curado de leucemia. A mãe, que já tem oito filhos, está grávida de sete meses e, quando seu bebê nascer, o sangue do cordão umbilical poderá ser armazenado, transformando-se em sinônimo de esperança para o pequeno enfermo.

Dividindo um olhar perdido e apavorado cheio de incerteza, Helenita explicou que a doença do filho foi descoberta em março deste ano e, desde então, a tristeza e o pesar em ver o filho cansado e sofrendo toma conta de seus dias. “Ele sentia muitas dores na barriga e estava ficando muito branco. Quando o levei pela primeira vez ao médico, ele passou remédio para febre e analgésico, mas os sintomas continuaram”, afirmou, descrevendo o início da trajetória contra a leucemia do filho.

A agricultora conta como descobriu que a criança estava com uma “doença no sangue”. “Fomos para outra cidade perto de Pedra Branca, Minerolândia, onde ele fez o exame de medula. Alguns dias depois, o médico avisou pelo rádio que meu filho precisava ir urgente para o hospital. Como ele não podia ir de bicicleta, pois estava muito cansado, esperamos pela ambulância”, lembrou a agricultora, fazendo referência do passado recente.

Apenas dois meses depois de descobrir a doença, Helenita já viu o filho ficar na Unidade de Terapia Intensiva – UTI do Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), ser submetido ao balão de oxigênio e passar por vários exames, realidade confusa e nova para a senhora que está acostumada a criar os filhos no campo. “Já ‘furaram’ meu filho todo, as enfermeiras nunca conseguem achar a veia dele. Já foram tantas dificuldades, você nem imagina”, desabafou a agricultora. Mãe e filho chegaram ao Instituto Peter Pan, na madrugada do último dia 2. O menino apresentava moleza, febre e muita debilidade física, por isso, sua internação foi quase imediata.

COMO SALVAR VIDAS
Assim como Helenita poderá fazer, a mãe que optar por doar o sangue do cordão umbilical para salvar a vida de seus e de outros filhos precisa ter entre 18 e 36 anos, ter um acompanhamento pré-natal completo e não apresentar doenças infecto-contagiosas. O grau de compatibilidade HLA é variável, principalmente de acordo com o número de células. “Se houver alguma coisa que eu possa fazer, eu faria na mesma hora, não tenha dúvida disso”, afirmou Helenita Carnaúba.

O procedimento após a autorização da doação é drenar a quantidade de sangue que permanece no cordão e na placenta e transferi-la para congelamento e armazenamento. Faz-se o transplante e espera-se o grau de compatibilidade, que é o período temido por médicos e pacientes, pois a rejeição pode transformar o sonho de uma vida futura, em morte. As doações não possuem custos para a família e devem ser realizadas através de consulta e agendamento diretamente com o banco

Por Sara Oliveira
da Redação
Fonte: O Estado CE