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Despedida // Corpo da jovem será sepultado hoje, mas sua história de luta contra a leucemia e mobilização de amigos e desconhecidos não se apagará
Aos 18 anos, Aline Coelho virou símbolo de uma luta pela vida. Sua simpatia e otimismo conquistaram amigos. Daqueles que nas situações difíceis não fogem. Mobilizam. No boca a boca, a história da batalha da estudante contra a leucemia se espalhou. Correu escolas do Recife, chegou ao site de relacionamentos Orkut e foi parar no Youtube. Ganhou força. E mais apoio. Do cantor Geraldinho Lins e do jogador Ciro, do Sport, time do coração de Aline. No dia 30 de maio deste ano, o sorriso da garota que se recusava a ceder ao pessimismo ganhou a capa do Diario de Pernambuco. O HLA Diagnóstico, que cadastra voluntários no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), chegou a inscrever 548 doadores em um único dia, 2 de junho. Um recorde de procura à instituição que recebe, em média, 50 a 100 voluntários por mês e conseguiu cadastrar cerca de 5 mil pessoas de 29 de maio até ontem. O sorriso de Aline se apagou. Mas seu brilho ainda ilumina a luta de muitos que dependem de um transplante de medula óssea para sobreviver. Gente com histórias como a dela, que precisa da ajuda de todos para ter um final diferente.
Aline morreu na última quarta-feira, aos 18 anos, em um hospital de Curitiba. Seu corpo será velado às 11h de hoje. O enterro está previsto para as 16h, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista. Estima-se que a chance de encontrar um doador compatível sem laços de parentescos é de 1 em 100 mil. Mas a mobilização criada a partir do seu drama não foi em vão. Os dados genéticos dos amigos, parentes e pessoas que nem conheciam Aline mas, movidos pela vontade de ajudar, tornaram-se doadores, continuam no Redome. E eles, um dia, podem salvar a vida de alguém.
No Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme), onde estão cadastrados aqueles que não conseguiram encontrar doador compatível na família, há 62 pernambucanos. Desses, 11 encontraram doadores e estão aguardando o transplante, 30 têm potencial doador identificado e 21 ainda esperam um doador. Outras 19 pessoas também aguardam o transplante de medula em Pernambuco - sete têm doadores na família e 12 farão procedimento autólogo (do paciente para ele mesmo).
Uma amiga de Aline Coelho, a advogada Juliana Oliveira, de 33, continua na luta pela vida. No último dia 3 de abril, após um hemograma de rotina, ela descobriu que tinha leucemia. De lá para cá, enfrentou a corrida contra o tempo para conseguir um doador 100% compatível, o que é ideal. Não conseguiu. Por sorte, sua mãe era 80% compatível - a probabilidade de compatibilidade entre irmãos é a maior e só chega a 25%. Entre outros parentes cai para 5%. A situação de Juliana piorou e ela precisou da doação da mãe. Hoje, está no 73° dia do pós-transplante e passa bem. "O caminho é longo. Estávamos perdendo. Agora estamos ganhando", disse o marido, Renato Rissato.
Outra amiga de Aline, Lívia Reyes, 26 anos, compartilha a falta de sorte em achar um doador 100% compatível. Mas terá a chance de fazer o transplante mediante a retirada das células de dois cordões umbilicais cadastrados em um registro americano. Há previsão de realização do procedimento em janeiro ou fevereiro. Já o casal Luciana e Djalma Silva espera ter mais sorte. Eles tiveram notícia de que foi encontrado um possível doador para o filho, Demétrius, de apenas 9 anos, e aguardam ansiosamente a chegada do próximo dia 17, quando vão saber o resultado do teste de compatibilidade. Dia 18 é o aniversário de 41 anos de Luciana. E uma resposta positiva é tudo que ela espera de presente. Demétrius tem leucemia e faz quimioterapia desde março de 2007. O Redome tem 1,2 milhão de doadores cadastrados, sendo 24,4 mil pernambucanos. Só 6% do total são do Nordeste (há três anos era a metade). Um número pequeno e triste. Devido à miscigenação brasileira, quanto mais voluntários nordestinos mais chances de um conterrâneo encontrar doador compatível. Mudar essas histórias pode estar nas suas mãos.
Serviço
Para se tornar um doador, você deve procurar: HLA Diagnóstico - Rua Gonçalves Maia, 113, Soledade. Fone: 3421.3387 Hemope - Rua Joaquim Nabuco, 171, Graças. Fone: 0800.081.1535 Postada em 09.11.09 - Fonte: Jornal Diário de Pernambuco |