Pernambuco: 4º em transplante de medula Imprimir
Escrito por medeiros   
Sex, 16 de Outubro de 2009 14:35

Tema foi abordado em palestra sobre o panorama no País

Gestores da Secretaria Estadual de Saúde (SES), representantes de Comissões Intra-Hospitalares de Doação de órgãos e Tecidos para Transplantes e de Organizações Não Governamentais (ONGs) envolvidas com a temática do transplante de órgãos, assistiram, na manhã de ontem, no auditório do Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape), a uma palestra sobre o panorama do transplante de medula óssea no Brasil e em Pernambuco. Para a coordenadora da Central de Transplantes de Pernambuco, Zilda Cavalcanti, o evento foi uma oportunidade de avaliar em que situação Pernambuco se encontra em relação aos demais Estados que realizam esse tipo específico de transplante.

O transplante de medula óssea é realizado no Brasil desde a década de 60. Já foram realizados 16 mil procedimentos até o fim do ano passado. Por ano são realizados aproximadamente 1.800 transplantes em 52 centros espalhados pelo País, com 320 leitos disponíveis. Em Pernambuco, entretanto, o serviço do transplante de medula óssea só teve início em setembro de 1999. Hoje, o Estado conta com dois espaços do Sistema Único de Saúde (SUS) - Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (Hemope) e o Real Hospital Português (RHP). Os dois locais têm disponíveis 20 leitos, que já realizaram 814 transplantes até hoje. Por mês são aproximadamente dez procedimentos realizados no Estado.

"A intenção desse encontro é fazermos uma atualização dos dados de transplantes de medula óssea no País, e como Pernambuco encontra-se nesse contexto, para os profissionais que trabalham em favor dessa atividade", colocou Zilda Cavalcanti. A coordenadora da Central de Transplantes garante, que hoje, o Estado encontra-se em uma situação muito tranquila quanto a demanda e a realização dos transplantes de medula, no entanto muita coisa ainda pode ser melhorada para garantir o aumento da qualidade do serviço oferecido. "Nós não estamos em uma situação ruim, mas há possibilidade e condições de melhorar e nós estamos trabalhando para que isso aconteça", pontuou Zilda Cavalcanti.

Os maiores problemas que o Estado enfrenta na busca pela melhoria do serviço de transplante de medula óssea, segundo Zilda, são os poucos leitos, unidades credenciadas e doadores cadastrados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Apesar das dificuldades, Pernambuco é o quarto Estado do País em números absolutos de transplantes e tem o único centro de transplante de medula óssea para casos não aparentados - pessoas que recebem a medula de alguém que não tem vínculo familiar: o RHP. "Além disso estamos nos estruturando para que até o meio do ano que vem aumentemos o número de leitos do Estado para 30 e promovemos com frenquencia campanhas para captar mais doadores", disse Zilda.

De acordo com Luiz Fernando Bouzas, coordenador dos transplantes de medula óssea do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Pernambuco teve e ainda tem muita dificuldade para começar a realizar os transplantes de medula óssea. No entanto, é reconhecido o empenho do Estado. "Pernambuco tem feito muitos esforços para mudar a realidade do serviço que é de alta complexidade e custo", pontuou Bouzas. Ele aponta que 35% de todo o investimento em transplantes no Brasil é destinado apenas para o transplante de medula óssea. "A perspectiva é de que com o crescimento dos centros de transplantes da Bahia, Ceará e Natal haja um aumento da atividade na região e desafogamento dos centros já existentes", observou Bouzas.

Fonte: Folha de Pernambuco - Grande Recife página 4  - 16.10.09

Postada por Simone Medeiros