Em busca da compatibilidade... PDF Imprimir E-mail
Compatibilidade é um conceito que vale ouro para quem aguarda em uma fila de transplante de órgãos. Não apenas no sentido biológico, onde a probabilidade de encontrar um doador compatível pode chegar a uma em um milhão. Para conseguir sair da fila e recuperar a saúde, é preciso estar compatível também com a disponibilidade de agenda de equipes médicas, de estoque de materiais cirúrgicos, de número de leitos e da própria burocracia do sistema público de saúde brasileiro.
 

Este é o problema de Ivanildo Ribeiro Lima Júnior, 22 anos. Concebido em uma relação entre primos de primeiro grau, ele já superou vários obstáculos e não carrega no corpo, nem no intelecto, qualquer problema de formação. Mas sofre de leucemia linfótica aguda e o casamento cosanguíneo dos pais dificultaria ainda mais a chance de ter um doador compatível entre os seus familiares. Mas havia o pai. Uma chance em vinte. "Foi uma alegria muito grande, e uma surpresa maior ainda. Nossas esperanças estavam concentradas em meu irmão, em que as chances são bem maiores (entre irmãos, a probabilidade de compatibilidade é de uma em quatro)", lembra.

Após todos os procedimentos e ambos serem considerados aptos para o transplante, a frustração. "Eles disseram que faltou material. Em específico uma bolsa de coleta de medula. Por isso, eu não poderia fazer o procedimento ", lembra. Na espera há dois meses, Ivanildo ainda não tem ideia de quando poderá ter a chance de receber o órgão e lutar por uma recuperação definitiva contra a leucemia. O sonho para o futuro deu lugar à aflição de sempre viver o presente. "Não me preocupo com nada mais que o agora. Tenho que conviver com o medo constante de morrer a qualquer hora, de meu corpo parar de responder. Não há espaço para fazer muitos planos", afirma.

Assim como ele, outros seis pacientes já têm doadores da própria família, mas estão impedidos de receberem um transplante. Outros 15 pacientes deveriam receber sua própria medula, após tratamento quimioterápico, mas não chegam a ser tratados graças à falta de insumos da Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (Hemope). Além deles, outros 45 pernambucanos que fazem parte da lista de espera da Central de Transplantes de Pernambuco torcem agora não apenas para achar um doador, mas para encontrar todas as condições para fazer a cirurgia.
 

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