Caminhada na praia de Boa Viagem marca início da campanha de Transplantes PDF Imprimir E-mail

Ulisses Azevedo, de 31 anos, fez questão de ir a praia de Boa Viagem, nesse ensolarado domingo, 27 de setembro. E não foi para curtir o mar ou a cerveja gelada. Ulisses estava ali para comemorar, junto a uma centena de pessoas, o Dia Nacional do Doador de Órgãos.

A Central de Transplantes de Pernambuco reuniu funcionários, voluntários, participantes de Comissões Intra-hospitalares de Doação de Órgãos, membros da Associação dos Amigos do Transplante de Medula Óssea (Atmo) e, literalmente, pararam o trânsito da Avenida Boa Viagem, entre o 1º. e 3º. Jardins para uma caminhada pela vida.

Zilda Cavalcanti, coordenadora da CTPE, disse que o dia era de comemoração e de reflexão: “É preciso conscientizar a população para a necessidade de deixar a família avisada sobre a sua condição de doadorâ€, alertou. “Devemos comemorar o aumento ano a ano no número de doações, mas quando lembramos que existem em Pernambuco cerca de 3.500 pessoas na lista de espera por um órgão é que vemos que ainda há muito trabalho a fazerâ€.

E consciência é só o que falta para que a doação de órgãos se torne algo natural, segundo Ulisses Azevedo, transplantado e hoje um militante da causa da doação. Ele fala com a autoridade de quem precisou substituir o coração com apenas 21 anos de idade. Vítima de uma miocardite dilatada, ele tinha no transplante a única esperança para se manter vivo.

“Hoje, 10 anos depois, casei, tenho um filho de 10 meses e levo uma vida normalâ€, diz ele, com alegria de quem traz no peito a certeza do benefício da vida concedido a ele por um ato de bondade da família de um doador. Ulisses faz questão de elogiar a estrutura da doação de órgãos em nosso Estado. “Sempre fui bem assistido pelos médicos e, nesses dez anos como transplantado, nunca me faltou o remédio que preciso tomar para evitar a rejeiçãoâ€, diz Ulisses, enquanto caminhava pela avenida.

Outra pessoa que seguiu os passos de Ulisses é dona Margarida Tavares, de 62 anos de idade. Ela diz que voltou a viver novamente em 2002, depois de se submeter a um transplante de fígado e de passar 16 anos de uma vida limitada como portadora de uma cirrose, adquirida numa transfusão de sangue na década de 70, quando não havia testes para comprovar a qualidade do sangue utilizado nas transfusões. Dona Margarida diz que mesmo sendo uma “embaixadora dos transplantes†ela encontra pessoas que ainda rejeitam a idéia de permitir a retirada de órgãos de parentes falecidos. “Só quem voltou a viver como eu, depois de um transplante, sabe a importância de um gesto como esseâ€. Diz, emocionada, dona Margarida.

E foi para aumentar a consciência da população para a causa da doação que a equipe de mobilizadores sociais do programa Vida Nova engrossou o cordão da doação e foi até a beira da praia conversar com os banhistas e entregar panfletos com informações sobre o ato de doação de órgãos. Dona Maria Tavares, 42 anos, apesar de não saber do que se passava na avenida, a poucos metros da cadeira de praia dela, ao receber o folder das mãos de uma das mobilizadoras disse que a doação de órgãos é algo que deve ser divulgado durante todo o ano. “Sou doadoraâ€, garantiu, com um sorriso.

Fonte: Portal Pe