Hemope enfrenta dificuldades
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Escrito por Dennis Eudo   
Dom, 06 de Junho de 2010 22:54
Em plena semana da Campanha de Doação de Órgãos 2010, é possível verificar que faltam recursos financeiros ao Centro de Transplante de Medula Óssea (CTMO) do Hemope. Faltam medicamentos, materiais cirúrgicos e insumos indispensáveis para que pacientes que dependem de uma nova medula possam ter uma chance concreta de, em pouco tempo, receberem uma doação.De acordo com a supervisora do CTMO, Érika Coelho, a situação é grave e não há dúvidas que os pacientes lutam contra o tempo para que, enfim, os procedimentos sejam realizados.


"O candidato a um transplante deve estar com a doença em remissão, após passar por um doloroso tratamento de radio ou quimioterapia. Não há garantias de prazo de sobrevivência e, muito menos, de cura espontânea. Apenas sabe-se que jamais é possível um paciente passar anos na fila", afirma.

Mesmo com tamanha urgência, os profissionais se deparam com limitações no número de leitos (ao todo são nove, sendo três no Hemope e outros seis no Real Hospital Português, quando o número mínimo deveria ser de trinta) e a não disponibilidade, no Estado, de exames clínicos essenciais (como a análise genética de compatibilidade de amostras de medulas) que, atualmente são realizados em laboratórios do Sudeste do país. Além disso, muitas licitações demoram tanto que, quando são concluídas, os preços acordados estão defasados, obrigando o Estado a, muitas vezes, refazer todo o processo.

"O mais grave é que quando enfrentamos esta realidade, não há alternativas. Neste momento, estamos sem um kit de bolsas e filtros, essencial para o transplante. Estes filtros são modernos, custam cerca de R$ 2.500, porém são descartáveis. Quando faltam, poderíamos usar um filtro manual, que custa 2 mil dólares e é reutilizável, podendo suprir as emergências, mas o fabricante não é cadastrado no sistema da Secretaria de Administração (E-fisco) e ficamos impossibilitados de dar continuidade ao trabalho", explica Coelho.

Ainda segundo a médica, os cerca de 30 profissionais da CTMO convivem diariamente, há pouco mais de três anos, com a política da 'gambiarra'. São medicamentos que são trocados com outras instituições, equipamentos emprestados e doações de materiais cirúrgicos que permitem que os poucos transplantes realizados pelo centro sejam possíveis. "Muitas vezes, as pessoas não entendem que na falta de um recurso simples, como papel-toalha, um procedimento desta complexidade seja inviabilizado. Não é necessário secar as mãos? Poderíamos fazer o trabalho de forma irresponsável?", questiona.

As condições adversas de funcionamento do setor fica visível em um gráfico que demonstra a atuação do CTMO desde sua criação, em novembro de 2002. Ao todo, foram 60 procedimentos realizados em um número crescente até o ano de 2006, quando foram 17 pacientes foram submetidos ao tratamento. Em 2007, esse número caiu para 04, chegando a apenas 01, em 2008. Este ano, apenas 02, foram transplantes possíveis e um terceiro está sendo cogitado. Segundo a supervisora, "com uma bolsa de medula emprestada de um hospital de outro Estado".

Luz no fim do túnel - Considerado "O ano da saúde em Pernambuco", as negociações entre o Hemope e a Secretaria Estadual de Saúde voltaram a ser realizadas. Ontem, representantes das duas partes voltaram a discutir a ampliação dos recursos destinados à unidade de saúde, incluindo na área de transplantes. Para a CTMO, está sendo negociada a aquisição de uma ala inteira do Hospital do Câncer de Pernambuco, com 10 novos leitos, ampliando a capacidade atual em 333%. Em área física, a capacidade do centro passaria de 240 m² para 700 m². A proposta é que o ambiente complementar passe a ser uma realidade a partir do final de 2010.

Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D. A Press

 

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