Dúvidas?

O que é medula óssea?

É um tecido líquido que ocupa o interior dos ossos, principalmente os ossos chatos (cabeça, externo, costela e bacia) sendo conhecida popularmente por ‘tutano’. Na medula óssea são produzidos os componentes do sangue: as hemácias (glóbulos vermelhos) que duram 120 dias, os leucócitos (glóbulos brancos) que duram 8 dias e as plaquetas que duram 9 dias. Pelas hemácias, o oxigênio é transportado dos pulmões para as células de todo o nosso organismo e o gás carbônico é levado destas para os pulmões, a fim de ser expirado. Os leucócitos são os agentes mais importantes do sistema de defesa do nosso organismo, inclusive na defesa das infecções. As plaquetas compõem o sistema de coagulação do sangue.

Qual a diferença entre medula óssea e medula espinhal?

Enquanto a medula óssea, como descrito anteriormente, é um tecido líquido que ocupa a cavidade dos ossos, a medula espinhal é formada de tecido nervoso que ocupa o espaço dentro da coluna vertebral e tem como função transmitir os impulsos nervosos, a partir do cérebro, para todo o corpo.

O que é transplante de medula óssea?

É um tipo de tratamento proposto para algumas doenças malignas que afetam as células do sangue.
Ele consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula.

Os transplantes de medula podem ser:
1 autogênico ou autólogo, quando provêm do próprio indivíduo transplantado ele é doador e receptor.
2 alogênico, quando a medula ou as células provêm de um outro indivíduo que pode ser aparentado de irmão ou primo e não aparentado de um doador anonimo do REDOME o banco da medula.
3 cordão umbilical, o transplante também pode ser feito a partir de células precursoras de medula óssea obtidas do sangue circulante no do sangue de cordão umbilical, a compatibilidade pode ser menor.
4 Haploidêntico última alternativa dos transplantes. Uma estratégia de transplante onde a compatibilidade esta em torno de 50% , geralmente são um dos pais, irmãos ou primos, destaca-se pelas as dificuldades inerentes de transplante.

Quando é necessário o transplante?

Em doenças do sangue como a Anemia Aplástica Grave, Amenia de Fanconi em alguns casos e tipos de leucemias, como a Leucemia Mielóide Aguda, Leucemia Mielóide Crônica, Leucemia Linfóide Aguda. No Mieloma Múltiplo e Linfomas, o transplante também pode estar indicado.
Anemia Aplástica: É uma doença que se caracteriza pela falta de produção de células do sangue na medula óssea. Apesar de não ser uma doença maligna, o transplante surge como uma saída para ‘substituir’ a medula improdutiva por uma sadia.
Anemia de Fanconi (AF) é uma doença genética que afeta craianças e adultos de todos os grupos étnicos, caracterizada por baixa estatura, anomalias no esqueletos em alguns casos há necessidade de transplante,.
Leucemia: É um tipo de câncer que compromete os glóbulos brancos (leucócitos), afetando sua função e velocidade de crescimento. O transplante surge como uma forma de tratamento complementar aos tratamentos convencionais.

Como é realizada a doação?

No momento que existe a compatibilidade entre doador e paciente são ralizados testes confirmatórios de alta resolução. Antes da doação, o doador faz um exame clínico para confirmar o seu bom estado de saúde, em alguns casos toma estimulante para produzir mais medula.Não há exigência quanto à mudança de hábitos de vida, trabalho, peso ou alimentação. A doação pode ser realizada através de aférese, uma máquina que filtra a medula do sangue, como se fosse uma doação de plaqueta sem internações ou sedação, ou por meio de uma punção óssea da bacia sobre sedação e um dia de internação. Esse procedimento dura de aproximadamente 90 minutos, em que são realizadas múltiplas punções, com agulhas, sem cortes ou pontos, nos ossos posteriores da bacia e é aspirada a medula. Retira-se um volume de medula do doador em torno de 10% a 15% . Esta retirada não causa qualquer comprometimento à saúde em 15 dias sua medula esta totalmnte recuperada ao passo que uma doação de sangue se necessita de 90 dias nos homens e 120 dias nas mulheres.Quem escolhe o tipo de doação é a equipe médica.

A doação pode também ser realizada por celulas do cordão umbilical e placentários, encontrados nos bancos de cordão umbilical.
Atualmente 75% dos transplantes estão sendo realizados por aférese ou cordão umbilical.

Quais os riscos para o doador?

Os riscos são praticamente inexistentes e relacionados a um procedimento que necessita de anestesia peridural ou geral, sendo retirada do doador a quantidade de medula óssea necessária (entre 10% e 15%). Este procedimento tem duração de aproximadamente 90 minutos e consiste de punções na região pélvica posterior para aspiração da medula. Dentro de poucas semanas, a medula óssea do doador estará inteiramente recuperada. Uma avaliação detalhada verifica as condições clínicas e cardiovasculares do doador visando a orientar a equipe médica. 

Como é o transplante para o paciente?

Depois de se submeter a um tratamento que destrói a própria medula, o paciente recebe a medula sadia como se fosse uma transfusão de sangue. Essa nova medula é rica em células chamadas progenitoras, que, uma vez na corrente sangüínea, circulam e vão se alojar na medula óssea, onde se desenvolvem. Durante o período em que estas células ainda não são capazes de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente para manter as taxas dentro da normalidade, o paciente fica mais exposto a episódios infecciosos e hemorragias. Por isso, deve ser mantido internado no hospital, em regime de isolamento. Cuidados com a dieta, limpeza e esforços físicos são necessários. Por um período de 2 a 3 semanas, necessitará ser mantido internado e, apesar de todos os cuidados, os episódios de febre são quase uma regra no paciente transplantado. Após a recuperação da medula, o paciente continua a receber tratamento, só que em regime ambulatorial, sendo necessário, por vezes, o comparecimento diário ao hospital.

Quais os riscos para o paciente?

A boa evolução durante o transplante depende de vários fatores: o estágio da doença (diagnóstico precoce), o estado geral do paciente, boas condições nutricionais e clínicas, além, é claro, do doador ideal. Os principais riscos se relacionam às infecções e às drogas quimioterápicas utilizadas durante o tratamento. Com a recuperação da medula, as novas células crescem com uma nova ‘memória’ e, por serem células da defesa do organismo, podem reconhecer alguns órgãos do indivíduo como estranhos. Esta complicação, chamada de doença enxerto contra hospedeiro, é relativamente comum, de intensidade variável e pode ser controlada com medicamentos adequados. No transplante de medula, a rejeição é rara.

O que é compatibilidade?

Para que se realize um transplante de medula é necessário que haja compatibilidade tecidual entre doador e receptor conforme analise médica.  Esta análise é realizada em testes laboratoriais específicos, a partir de amostras de sangue do doador e receptor, chamados de exames de histocompatibilidade. Com base nas leis de genética, as chances de um indivíduo encontrar um doador ideal entre irmãos (mesmo pai e mesma mãe) é de 25% a 30%.

O que fazer quando não há um doador compatível?

Quando não há um doador aparentado (um irmão ou primo), a solução é procurar um doador compatível entre os grupos étnicos (brancos, negros amarelos…) semelhantes. Embora, no caso do Brasil, a mistura de raças dificulte a localização de doadores, é possível encontrá-los em outros países. Desta forma surgiram os primeiros Bancos de Doadores de Medula, no Brasil o REDOME (Registro de Doadores de Medula Óssea) em que voluntários de todo o mundo são cadastrados e consultados para pacientes de todo o planeta. Hoje, já existem quase 3 milhões mil doadores, e o Brasil é o terceiro maior banco do mundo onde 1,5 da população é cadastrada. mas as Regiões Norte, Nordeste  tem uma participação pouco representativa. O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) coordena a pesquisa de doadores nos bancos brasileiros e estrangeiros.

O Que é REREME?

É o registro de receptores de medula, ou seja dos pacientes que são cadastrados pelos seus médico. Diariamente se faz cruzamentos entre os bancos REDOME e REREME em busca de compatibilidade. Vale salientar que são bancos vituais que constam apenas os códigos genêticos de todos os envolvidos.