Depoimento De Doadora De Medula Óssea- Myrian Yasmin De Carvalho

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Por Myrian Yasmin de Carvalho.

No dia 16 de novembro de 2012, fiz meu cadastro no REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) no Hemocentro de Maringá/PR para ser doadora voluntária de medula óssea.
No dia 27 de maio de 2013 (apenas 6 meses após o cadastro), recebi uma ligação do Rio de Janeiro (REDOME), porque foi encontrado um paciente possivelmente compatível que necessita de transplante de medula óssea. Então, fui convocada para realizar os testes confirmatórios. No dia 06 de junho de 2013, compareci ao Hemocentro de Maringá/PR para fazer a coleta de sangue necessária para fazer o exame de compatibilidade mais detalhado, liguei algumas vezes e enviei e-mails para o REDOME para saber o resultado do exame, mas eles não tinham nenhuma resposta para me fornecer, então continuei aguardando uma resposta.
No dia 23 de setembro de 2013, recebi uma nova ligação do REDOME, confirmando que a minha medula realmente é compatível com o paciente, então seria feito o transplante de medula óssea em São Paulo/SP no dia 24 de outubro de 2013.
Por motivos profissionais pedi para eles tentarem adiantar o transplante, eles conseguiram adiantar a data para fazer o transplante de medula óssea, mas não seria mais feito em São Paulo/SP, e sim em Natal/RN no dia 12 de outubro de 2013 (dia de Nossa Senhora Aparecida). No dia 26 de setembro de 2013, viajei para Natal/RN para realizar alguns exames no hospital que faria o transplante. No dia 27 de setembro de 2013, fui ao Hospital Natal Center para fazer alguns exames de sangue, raio-x do tórax e eletrocardiograma, também conversei com uma enfermeira que me explicou detalhadamente como funciona o transplante de medula óssea, depois fui avaliada pelo médico que iria fazer o transplante. Ele pediu para eu fazer uma doação de sangue autóloga no hemocentro de Natal (Hemonorte), porque se eu precisasse de sangue após a doação de medula seria realizada uma autotransfusão, se eu não precisasse, a bolsa de sangue seria doada voluntariamente. O resultado do raio-x e do eletrocardiograma saiu em poucos minutos, a minha saúde estava ótima, voltei para Maringá/PR no dia 29 de setembro de 2013, após alguns dias o pessoal do REDOME ligou dizendo que os exames de sangue também tiveram um resultado bom e que o transplante estava confirmado para o dia 12 de outubro de 2013.

No dia 12 de outubro de 2013, às 04h30, cheguei ao Hospital Natal Center (em jejum de 12 horas), fui para o quarto, tomei banho e me troquei para aguardar que fizessem uma coleta de sangue para a realização de exames. Depois fui levada ao centro cirúrgico em uma cadeira de rodas, evitando assim o contato com qualquer bactéria. Enquanto esperava a equipe de médicos, enfermeiras e anestesista, fiquei deitada em uma maca, tendo a pressão arterial e os batimentos cardíacos monitorados. Após alguns minutos, fui para a sala de cirurgia, primeiro o anestesista inseriu o soro, na sequência, deu a anestesia raquidiana, a qual fez com que eu perdesse, aos poucos, o sentido da cintura para baixo. Quando a anestesia fez todo o efeito desejado, iniciou o procedimento da retirada da medula óssea, durante esse período permaneci no soro recebendo alguns medicamentos pela veia para evitar efeitos colaterais da anestesia e dores, com os sinais vitais sendo controlados, é importante mencionar que não senti nenhuma dor durante a retirada da medula que ocorreu através de punções no lado direito e esquerdo da bacia. No final desse procedimento, foi feita uma autotransfusão com a bolsa de sangue que eu havia coletado no final de setembro no Hemonorte, porque como a quantidade de medula retirada foi grande, aproximadamente 1500 ml, eu poderia me sentir muito fraca. Às 10h30, fui para o quarto em uma maca, às 11h00 almocei (após 18 horas de jejum), permaneci sendo medicada com dipirona na veia para evitar dores, hidratada com o soro e tendo a pressão arterial, a temperatura e os batimentos cardíacos controlados, além disso, fiz uso de compressas de gelo na região das punções. No domingo de manhã, mais uma furadinha para fazer um hemograma para saber como eu estava pós-doação de medula óssea. A alimentação do hospital durante os dias em que fiquei internada era excelente, no domingo à tarde recebi alta, o médico indicou dipirona (em gotas) ao sentir dores e compressas de gelo na região das perfurações, além disso, ele pediu para eu não me esforçar fisicamente, não pegando peso, nem subindo escadas, em relação à alimentação, não há nenhuma restrição.

Na viagem para a realização dos exames pré-doação de medula óssea não levei acompanhante, mas existia a possibilidade de levar alguém comigo. Já na viagem para a doação da medula, o acompanhante é necessário, então eu escolhi a minha mãe para me acompanhar. Os gastos com passagens aéreas, reserva do hotel, alimentação e locomoção do doador e do seu acompanhante são todos custeados pelo REDOME, o qual envia as passagens e a reserva do hotel por e-mail e faz uma transferência bancária para a conta do doador para as despesas com alimentação e táxi.
Para mim, o doador de medula é um anjo anônimo, pois essa doação exige sigilo para proteger as duas partes, doador e paciente. Além disso, ela não salva apenas uma vida, mas a vida de toda uma família.

A doação de medula óssea representa, em muitos casos, a última esperança de vida do paciente, por isso, ser um doador de medula é um ato de solidariedade e amor pelo próximo.

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